quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Férias frustradas ...

URUGUAI 2007

Não; nada contra o Uruguai que adoro, mas...

Saí sozinho no meu jipe da Ilha de Santa Catarina no final de 2007 com um vago plano de voltar ao passo Caririñe num lago próximo aos vulcões Lanin e Villarrica entre a Argentina e o Chile.
A ideia era acampar uma semana na beira do lago para fazer uns treakings e fotos nas montanhas da região...
Era vespera do ano novo e eu descia a BR 101 para o sul quando parei no Engenho do Boi para um café da manhã; depois continuei descendo na contramão de uma fila que "subia" a BR101 em direção ao fim de ano da ilha.
Depois de passar a Polícia Rodoviária dei por falta do meu celular, na mesma hora achei que tinha sido no banheiro do Engenho alguns kms atrás e eu teria que  voltar junto com a enorme fila....
Quase pirei na volta tentando vencer a lentidão da fila...  lá chegando, apesar dos esforços do gerente, não encontramos o celular,,,
Voltei para a estrada assim mesmo e em Tubarão um vendedor da TIM conseguiu o milagre de me vender um aparelho e cancelar aquele chip roubado. detalhe fiquei com mesmo número e só perdi a agenda...   Começou mal...

Como sempre dei uma parada em Porto Alegre para  jantar no La Piedra com direito a um bom papo com o amigo Manollo e um bom vinho (para mim que o Chef Manollo não bebe). E adormeci por ali mesmo à beira do guaiba no pátio do La Piedra.
No dia seguinte  acordei cedinho e resolvi sair para o sul e tomar o café da manhã no caminho e assim o fiz.
Tomei café ainda em Porto Alegre e depois me enganei e saí errado na direção de Floripa.
Cometi uma pequena infração fazendo um retorno rápido ainda no início da freeway (no lugar da viatura da polícia que não estava, era cedo). Esta meia volta rápida com o jipe carregado acabou me deixando dois dias parado; motivo três parafusos prisioneiros da roda traseira direita quebraram.
A 100 km de Porto Alegre em direção a Pelotas parei num posto para comprar água e alguém me chamou a atenção para um óleo escorrendo da roda, quando eu vi logo saquei o que era, mas o problema é que eu não estava numa cidade grande para achar  prisioneiros novos para comprar.


Acabei achando um mecânico acostumado a mexer em caminhão quebrado na estrada, ele vive disso e tem uma oficina numa estrada de terra uns 12 km para dentro. Fazia um calor de rachar naquela planura...
A foto não faz juz ao abafa que estava...
O Gama estava para vir também pois ia se encontrara com a expedição América Meridional que já estavam na Argentina. Então pedi para ele passar numa loja e trazer para mim os prisioneiros no  dia seguinte.


Aquela noite acabei dormindo dentro da Toya na oficina de chão batido lá no sertão do meio do caminho para Pelotas, tudo  é aventura, mas...
No outro dia o Gama não veio; então resolvi a questão com um torneiro numa cidade a sessenta km dali... E, feito o serviço, tentei seguir viagem...
Depois uma chuvarada a  pista da BR inundada, e o painel da Toya piscando enlouquecidamente resolvi tocar até um hotel de estrada na 1ª entrada de Pelotas o velho conhecido Hotel Ypiranga.
Cheguei no hotel e a Toya não pegou mais, no outro dia  empurramos e fui num bom eletricista indicado pela turma do hotel.
Era apenas o parafuso do fio do arraque que estava solto e fazendo toda esta bagunça... alguém não apertou uma porca apenas!... 
Segui viagem, mas ainda esperaria o Gama pelo Uruguai (já vi esse filme em 2006) para levar os prisioneiros comigo como garantia na minha pretendida viagem até a cordilheira.

Finalmente cheguei ao Taim e suas capivaras e aves.

Alguns animais sucumbem ao movimento da estrada asfaltada que corta o Taim...

Um Cabeça-seca Mycteria americana no Taim, RS

Ele saiu voando e eu saí rodando até o Uruguai passando direto pelo Chui.

Já no Uruguai fui pela primeira vez ao Forte santa Tereza que tem um camping.


Guardando o Forte está o temível Quero-quero (e seu ninho) ,  não fosse eu portar o monopé da máquina pra me defender, ele teria me atacado...

Guaritas sobre estes muros enormes vigiavam as escaramuças do Tratado de tordesilhas...


E estas paredes "espanholas" me parecem familiarmente portuguesas...


A Toya no Pit Stop de Santa Tereza.
Pensei em acampar ali, mas era muito cedo e resolvi descer mais.

E o Uruguai se mostrou pródigo em aves.
Cará-cará ou Carcará ao lado da Ruta 9

E uns bandos de Tachãs Chauna torquata que desde o Taim eu vinha vendo ao longe...


Talha-mar Rynchops niger no rio Solis Chico aonde acampei, ao lado da ruta 9 na margem do rio, ainda achando que o Gama estava vindo com os prisioneiros, alguém ainda lembra?

Não era bem aonde eu estaria preparado para acampar minhas roupas e equipamentos eram para montanha (o saco de dormir pra menos 18°C) e eu não tinha trazido nem a minha prancha, e até rolava umas ondas ali, verano chico...

Então peguei Ruta 9 novamente mais para baixo e resolvi ficar na cidade: Montevideu.


Depois de uns dias pelo litoral acampando me hospedei em Montevidéo: os contrastes da grande urbe...



E os prazeres das boas cidades também, arte nas ruas...
Nos antiquários de Montevideo achei uma mochila de topografia do exército canadense que deve ter uns cem anos, e ainda funciona, agora carrego outros equipamentos nela.

 Montevideo es una ciudad muy charmosa.
E eu pensava na Toya, nos prisioneiros, nos quilometros perdidos e tomava choop para esquecer, hehe...

Montevidéo assim como Buenos Aires exibe um ar com tintas européias...
Fui ao Museu Torres Garcia, aos cafés, antiquários, etc....

Depois voltei para a Ruta 9 - ao encontro do Gama -voltando para o litoral norte.

Chegou o tio!
Assim nos encontramos na beira da estrada na Ilustre Municipalidad de Rocha e finalmente eu estava com os prisioneiros na mão. Trocamos umas idéias sobre as Toyas, botamos o papo em dia e o Gama seguiu sua viagem até o Acre via Peru.. e ele foi pro sul e eu pro norte já voltando pra Ilha.
A esta altura eu já tinha perdido muito tempo e confiança no carro, então fiquei apenas mais um pouco pelo Uruguai deixando a cordilheira para outra vez..
Hoje os 12 prisioneiros traseiros são reforçados 10 mm...
.
Fui conhecer a Laguna de Rocha uma laguna costeira com ocorrência de mais de 200 espécies de pássaros.


Acredito ser um jovem Caraúna-de-cara-branca Plegadis chihi. na beira da laguna.


Na laguna tem alguns flamingos, nos livros e sites sobre Rocha encontrei referências aos chilensis para este local, mas estes aqui fotografados por mim são andinos Phoenicoparrus andinus.
Seria perfeito - primeira vez que acho flamingos selvagens com esta câmera - se o dia não estivesse nublado.

Ainda dormi em Punta del diablo para dar uma chance ao clima, se o outro dia amanhecece com sol eu voltaria para acampar em Rocha...

Mas o outro dia amanheceu mais ou menos e resolvi ir embora pra casa.
Na estrada foi melhorando um pouco e fiz algumas explorações pelo caminho.
Nos campos Uruguaios  achei um sabiá que lá chamam zorzal.


E de repente surgiu bem ao lado da estrada um casal de Ñandús ou Emas como nós chamamos a Rhea americana.
Foi o melhor da viagem pois é seguramente o melhor registro que tenho destes animais.


E assim mais "pra cima" encerrou a viagem que depois de passar o Chui foi on the road até em casa já em 7/1/2008










Um comentário:

  1. Boa reportagem! O Toyota era a gasolina ou a diesel?
    cumprimentos
    Jose Luis

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